sábado, 16 de agosto de 2025



Tô com raiva de você 

Do teu silêncio planejado

Da omissão que preferiu 

Da falta de confiança, a qual pelo jeito nunca existiu

Tô com raiva da sua censura

De não poder expressar o que percebo

De não poder desabafar

De ter apenas que  aceitar tudo calada, sem suspiro, sem respiro, sem respeito com o que me cabe

Tô com raiva de ser a última, de ser a nula, de ser a mula de carga

Tô cansada de esperar sem receber

De ser a errada antes mesmo do errar

De nunca ser a tua escolha 

De ser a conveniência familiar

Tô decepcionada em ver a realidade 

De tentar e nunca conseguir 

De mudar e nada valer

De melhorar e você não ver

De conclusões precipitadas 

Das mentiras disfarçadas 

Dos gatilhos disparados sem ter um colete pra me defender

Tô com raiva

Tô cansada

Tô triste 

Tô tudo isso, mas proibida, censurada!

E se fatalmente eu conseguir ficar calada, é com desprazer que digo, será uma outra pessoa que vai conhecer.


{Danielle Haas}

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