domingo, 17 de agosto de 2025

Escolhas

 


Não precisava ser uma briga 

Precisávamos apenas de palavras trocadas

Precisávamos de sinceridade, cumplicidade, companheirismo 

De falar de julgamentos, escolhas, sem medo, sem perigo

Era apenas nós dois 

Não precisava se exaltar

O grito foi desnecessário 

Fez bater portas 

Causou ainda mais silêncios 

Provocou ainda mais dores

Sua omissão é dolorosa

Sua impaciência ficou carregada de consequências 

E não ser sua porção é uma pena 

Faz nossa história pequena 

Mesmo sendo tudo o que já foi

Mesmo sendo tudo o que ela é 

Aquela dor era nossa

Mas você pegou para si, de forma egoísta e calculada

Me deixou de fora, sem perguntar minha intenção

Não precisava ser assim

Era só uma dentre outras situações 

Mas fiquei ali, sem saber, sem dizer, apenas sentindo.


{Danielle Haas}



Sinto muito


Como Marília já dizia 

A sinceridade é maior na dor

A felicidade pode ser disfarçada 

Mas a dor, o sofrimento, não engana ninguém 

Aqui eu revelo o que sinto, o que penso, o que me alegra ou entristece 

E sabe, minha dor é mais criativa 

Aqui revelo minhas loucuras e sonhos coloridos 

Aqui digo o que penso e que na realidade não consigo

Aqui não engano minhas declarações

Elas são tão claras que chega ser um exagero

Uso todas as minhas crases e exclamações 

Revelo-me em tanta as fases, quantas necessárias for

Como Marília, aqui eu sinto muito, sinto tanto que não cabe no meu peito e acabo me declarando em minhas frases, com ou sem contextos

Mas com textos que me revelam, me liberam o corpo, a mente e o coração 

Sinto muito se te entristece 

Por aqui eu também choro as vezes

Mas derramar suas lágrimas 

Não, nunca foi minha intenção.

 

{Danielle Haas}



sábado, 16 de agosto de 2025



Tô com raiva de você 

Do teu silêncio planejado

Da omissão que preferiu 

Da falta de confiança, a qual pelo jeito nunca existiu

Tô com raiva da sua censura

De não poder expressar o que percebo

De não poder desabafar

De ter apenas que  aceitar tudo calada, sem suspiro, sem respiro, sem respeito com o que me cabe

Tô com raiva de ser a última, de ser a nula, de ser a mula de carga

Tô cansada de esperar sem receber

De ser a errada antes mesmo do errar

De nunca ser a tua escolha 

De ser a conveniência familiar

Tô decepcionada em ver a realidade 

De tentar e nunca conseguir 

De mudar e nada valer

De melhorar e você não ver

De conclusões precipitadas 

Das mentiras disfarçadas 

Dos gatilhos disparados sem ter um colete pra me defender

Tô com raiva

Tô cansada

Tô triste 

Tô tudo isso, mas proibida, censurada!

E se fatalmente eu conseguir ficar calada, é com desprazer que digo, será uma outra pessoa que vai conhecer.


{Danielle Haas}

Renúncia

  

Eu deveria morrer, se tivesse coragem

Eu deveria sumir, pra ver se algo me vale, ou se valho a alguém

Eu deveria desistir do que dizem ser felicidade

Eu deveria sentir vergonha das minhas tentativas

Eu deveria fazer menos por todos e fazer algo, sobre mim

Eu permaneço em tentativas frustradas no agradável e legal

Vivo em gentilezas e crio compreensões

Do tipo "esposa zelosa"

Da incerteza da mãe correta e menos a “amiga”

Amar o que me cabe e contento-me com o pouco que me sobra

Na verdade, bem pouco, um quase nada

Sozinha, não falo o que realmente sinto

Sozinha, desde que o sempre me escolta

Sozinha para o sempre que me acompanha

É sempre assim que me sinto

Eu deveria morrer

Mas somente ela me segura

Eu deveria chorar mais

Mas somente por ela não faço

Não consigo pensar em causar nela tamanha dor

Não me encorajo no agora,

Quem sabe tudo mude algum dia

Eu deveria, mas agora não posso

Não sei até quando

Mas uma hora vou

Com meus planos ou os de Deus

Em alguns momentos que eu deveria ir embora.


{Danielle Haas}
(Das gavetas do passado)

Com o tempo...



Com o tempo a gente aprende

aprende a ficar sozinha

aprende a ficar calada 

aprende a silenciar os sentimentos 

aprende a não esperar nada em troca

aprende a ser indiferente


Com o tempo a gente sente 

sente sim a dor de não ser a escolha 

mas sente que as vezes o tanto faz, não vira um tanto fez

sente que a paz é mais importante

sente que a nossa paz importa ainda mais 


Com o tempo a gente percebe o que é real e o imaginário

com o tempo a gente espera não ser mais otário

com o tempo a gente aprende a dizer os "nãos"

a ser menos conveniente 

e se perceber viva


Com o tempo a certeza do resgate não parece tão certeza

mas com o tempo a gente aprende a nadar 

na praia da vida, no rios das incertezas, na maré do medo

e aprende a surfar sob os problemas 


Com o tempo a gente escolhe 

com o tempo a gente engole, mas joga fora

com o tempo a gente não espera, a gente faz

com o tempo a gente aprende, sente

consegue desancorar do cais


com o tempo... 

  

 {Danielle Haas}

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Contos e Reencontros


Tem muita história pra contar, muita lembrança boa para relembrar, reviver e inspirar. 

Teve campeonato de poesia

Teve fila de show cheia de folia

Teve sorteio de ingressos e explosão de alegria

Teve primeiro abraço, primeiro choro e primeiro registro

Teve congestionamento animado

Gravação de clipe engraçado 

Teve campanha de rua com entrega de folhetins

Teve banho de chuva com cantoria em família 

Teve vizinho brigando com o volume do canto

Teve filho no palco ajudando com o violão 

Teve dormir na rua esperando a condução 

Teve novas amizades, daquelas de guardar do lado esquerdo

Teve amor a primeira fala nos preparativos da caravana 

Teve pedido de noivado e promessa pra toda vida

Teve família formada e amor ao OTM continuado, de geração em geração.

Tem amor pra sempre, por tudo que representam para mim e para o nós.

Tem gratidão e emoção guardada, renovada a cada canto

E tem saudade aqui no peito esperando o reencontro, 

Esperando o abraço apertado

Esperando a rouquidão após show

Tem a gente esperando aqui por vocês

Pra acumular novas lembranças e amar um tanto mais

Pra viver novas histórias e ter novas emoções!!!

Tem muitas histórias pra contar e muitas para ainda viver !!

Sem horas e sem dores, essa é parte da minha história 

Bem vindos ao Teatro mágico e a todo bem que ele pode te fazer!



{Danielle Haas}



Teu silêncio





Deveria dizer, mostrar, aparecer

Se aquilo que te cala me faz sofrer, sofro sem saber o porquê 

Dói e nem sei o motivo

Entendo que a preocupação te afeta, mas porque afetar a mim que nada fiz?

Ou fiz? 

Não sei dizer, por isso dói, mas você nem percebeu, se isolou, se calou, quase desapareceu.

Deveria falar, observar, esclarecer, mas preferiu ficar calado, me deixar de lado e adormecer


{Danielle Haas}





terça-feira, 29 de julho de 2025

E se fosse em maio...

 


 E se fosse em maio
Assim, rápido como um estalo
A nossa prosa, o nosso ensaio
Você me escolheria?

Ou se fosse em junho
E eu aparecesse do nada, um rascunho
Se eu te escrevesse de próprio punho
Será que você me escolheria?

Ou talvez em julho
Eu te ligando, sentado no muro
Aquele frio na barriga, um embrulho 
Você me escolheria?

Mas se fosse agosto
E eu pusesse à prova o meu texto
E pudesse provar o teu gosto
Será que você me escolheria?

Ou se fosse em setembro
A canção, seu rosto no meu ombro
A primavera do nosso tempo
Você me escolheria?

E se fosse em outubro
Eu puxasse um assunto, fortuito
Sobre o amor crescer, dar fruto...
Será que você me escolheria?

E se fosse em novembro 
Nosso baile de máscaras, um evento
Eu te olhando de longe, te lendo...
Será que você me escolheria?

Ou se fosse dezembro 
E eu te mostrasse o meu mundo por dentro 
Os bairros, as ruas, a praça no centro
Você me escolheria?

Talvez se fosse janeiro
O relógio girando ligeiro
Todo medo de frente ao espelho 
Será que você me escolheria?

Ou se fosse fevereiro
Tendo a água do mar de tempero
Seu sorriso mais leve e faceiro
Será que assim você me escolheria?

Mas se fosse em março
E eu me livrasse do meu embaraço
E eu pudesse dormir nos seus braços
Será que você me escolheria?

Se fosse em abril
Quando o caminho, a fé se abriu
E um horizonte pleno de amor surgiu
Você me escolheria?

E se fosse em maio...


{Jean Moraes}